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1991 - "Divórcio" das Sanjoaninas

Festas da Praia – 1991
Presidente da Câmara Municipal Dr. Carlos Lima
Presidente da Comissão das Festas – Francisco Nunes

O “divórcio” ocorrido entre as Câmaras Municipais de Angra do Heroísmo e da Praia da Vitória em relação à organização conjunta das Festas da Ilha Terceira criou um “vazio” na Praia da Vitória que de 1989 a 1991 ficou sem Festas.
Carlos Lima foi eleito Presidente da Câmara em 1989 e, em 1990, o executivo camarário decidiu realizar festas próprias no concelho, de carácter bianual, por alturas da batalha de 11 de Agosto.
A época escolhida para a realização das festas prendeu-se, primeiro, com a necessidade de as afastar das sanjoaninas, depois por ser principalmente no mês de Agosto que os emigrantes mais marcam a sua presença entre nós.
Carlos Lima recorda o rigor das contas porque, diz, o dinheiro investido é do povo e não da autarquia e ainda o momento de abertura quando, ao discursar, explicou que não haveria rainha das festas porque todas as mulheres do concelho eram, por si só rainhas.
Neste interessante depoimento, que pode ouvir aqui em baixo na íntegra, Carlos Lima lembra que as festas desse ano de 1991 deram lucro porque o programa gizado por Francisco Nunes, e aprovado pela autarquia, foi escrupulosamente cumprido.


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Presidente da Comissão – Francisco Nunes 

Em 1991 a ilha Terceira ainda sentia os ecos do sismo de 1980 que a marcaram profundamente.

Foi nesse quadro que Francisco Nunes, deu forma à primeira edição das Festas da Praia da Vitória. Antes disso, e desde 1978, a Praia da Vitória alternava com Angra do Heroísmo a realização das Sanjoaninas.

Angra do Heroísmo, entretanto reconstruída, chamou a si as Sanjoaninas e a Praia da Vitória decidiu, algum tempo depois, avançar para a realização das suas próprias festas celebrando a batalha de 11 de Agosto.

A Praia da Vitória havia feito uma proposta à Câmara de Angra do Heroísmo para que as sanjoaninas assumissem contornos de Festas da Ilha Terceira, alternadamente em cada um dos Concelhos. A resposta negativa de Angra fez, recorda Francisco Nunes, com que se tivesse criado um “vazio” de Festas na Praia da Vitória apenas colmatado com a decisão da autarquia, sob a Presidência do Dr. Carlos Lima, avançasse, em 1991, para a realização de festas próprias como já foi acima referido.

Carlos Lima, num importante depoimento que pode ouvir na íntegra, aqui em baixo explica as razões que levaram a Festas próprias na Praia da Vitória e faz todo o seu enquadramento.

Um Cortejo de abertura diferente

O primeiro cortejo não desfilou, isto é, não foi junto das pessoas. Os carros alegóricos ficaram estáticos em pontos-chave da Praia da Vitória e foram as pessoas a deslocar-se junto deles para os poderem apreciar.

Cortejo Etnográfico fez chorar os emigrantes presentes

Nessa primeira edição houve um cortejo etnográfico que viria a repetir-se a espaços nos programas das festas subsequentes sendo intenção retomá-lo de uma forma mais definitiva já no próximo ano num dia do programa inteiramente dedicado ao Ambiente.

Francisco Nunes recorda que para a concretização do primeiro cortejo etnográfico houve uma mobilização intensa por parte da equipa que ficou com essa parte do programa a seu cargo e recorda ainda a enorme qualidade do cortejo que depois foi apresentado durante as festas e que colocou em evidência a enorme riqueza etnográfica do concelho.

O Presidente da Comissão das Festas em 1991 lembra a emoção, vertida em lágrimas, de muitos emigrantes que assistiam ao cortejo etnográfico num tempo em que as pessoas estavam “sequiosas” de manifestações populares daquela natureza.

Rui Veloso – O ponto alto do programa musical

No que à música diz respeito houve a preocupação de satisfazer os vários públicos que se deslocam para participar na festa. Para a juventude a grande aposta foi na presença de Rui Veloso sem descurar a música tradicional e os artistas locais.

Houve a preocupação de promover uma série de eventos culturais, recreativos e desportivos que, por assim dizer, completavam os pontos mais altos do programa evitando, dessa forma, espaços “mortos”.

Houve igualmente a intenção de tirar partido da magnífica baía da Praia Da Vitória.

Momentos que não esquece

Para Francisco Nunes à distância que a memória permite enaltece como o momento que mais o marcou como sendo o do cortejo etnográfico e o nervosismo sentido imediatamente antes do início das festas uma vez que era a primeira festa a que a Praia poderia chamar como sua. Tudo era novo e uma nova experiência e, com o caminhar dos dias o nervosismo foi-se dissipando para dar lugar, no final das festas, a um sentimento de alívio.

As festas evoluíram de forma positiva e criam cada vez mais expectativas

Francisco Nunes tem continuado a acompanhar as festas da Praia que, coloca em evidência, têm vindo a evoluir de forma muito positiva o que, dadas as expectativas criadas junto das pessoas torna cada vez mais difícil a quem as organiza a tarefa de exceder o ano anterior.

Festas de 1991 deram um lucro de 5 000 contos

Francisco Nunes, a terminar, lembra-se que as festas, em 1991, deram lucro tendo as contas sido apresentadas de forma detalhada publicamente. Um lucro que rondou, naquela época era muito dinheiro, os 5000 contos ( ainda se vivia o tempo do escudo).

Responsável pela logística das Festas da Praia da Vitória – Virgínia Faria

Desde 1991 que Virgínia Faria assume o papel de coordenadora da logística das festas da Praia da Vitória.
Um lugar que desempenha e envolve todos os detalhes da festa.
Neste depoimento Virgínia Faria fala-nos do seu trabalho de muitos anos e de como gosta de usufruir das festas nos bastidores.

 

 

 

 

 

 


 

Comissão das festas

Organizar uma festa a partir do Zero sem referências anteriores

Quando Francisco Nunes aceitou o desafio para presidir à organização das primeiras festas da Praia, fê-lo sem quaisquer referências anteriores uma vez que teve de começar do “zero”.
Francisco Nunes diz que esse facto acabou por ser benéfico uma vez que lhe permitiu, e aos restantes membros da comissão, darem largas à imaginação criando um modelo que, na sua essência, se mantém em vigor até aos dias de hoje.
Recorda ainda que o dinheiro colocado à disposição era escasso mas os elementos que ficaram a seu cargo com a vertente financeira fizeram um excelente trabalho junto das empresas, sobretudo as de dimensão nacional que tinham negócios na ilha Terceira. Por isso, em relação à componente financeira dessas festas, foram sendo ultrapassados.
Por causa da mágoa resultante da decisão de Angra do Heroísmo, os praienses, espicaçados, empenharam-se a fundo na realização da sua primeira festa e o presidente da comissão recorda o grande número de voluntários que ajudaram a colocar a mesma de pé.

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